Vidal G 1200 Tempo, o SUV criado nos anos 30

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O clássico que vos trago hoje, faz parte de um conceito que está hoje muito na moda, e que veio para ficar, o SUV. Também aquela ideia do «Overengineering» das marcas alemãs nunca me fez tanto sentido como no Vidal G 1200 Tempo, e assim, vos apresento o clássico de hoje.

Para compreender o G 1200, convém explorar brevemente o conceito de SUV, cuja identidade foi intimamente moldada por este. Ora, para os mais leigos na matéria, SUV é a sigla de Sports Utility Vehicle.

Foi na década de 30 do século passado que surgiu esta necessidade de munir as forças armadas dos diversos beligerantes com um veículo ligeiro, com excelentes capacidades «off road» e tracção integral, que permitisse ultrapassar o mais feroz dos obstáculos.

Ora, ainda hoje a categoria de SUV não tem uma definição consensual entre países e peritos na área. De um modo geral, um SUV, é no senso comum, mais elevado perante o solo, resultando num centro de gravidade mais alto, uma maior capacidade cruzar terrenos acidentados e sinonimo de maior risco de capotamento.

Esta categoria sofreu uma evolução bastante interessante, na medida em que no início deste século XXI, o SUV absorveu uma cultura mais cosmopolita.

Com o acréscimo de tecnologias de controlo de tracção, estabilidade e afins, os SUV ganharam uma quota de mercado que tem vindo a subir constantemente deste então. A meu ver, o maior argumento de vendas para um SUV neste momento, será a segurança que este oferece em caso de choque frontal aos seus ocupantes.

Fundada por Oscar Vidal em 1924, a Vidal & Sohn Tempo-Werke GmbH, carinhosamente abreviada por Tempo, foi durante décadas, um avido fornecedor de furgões pelo mundo fora, e muitas vezes estabelecendo parcerias com marcas de renome, tais como Hanomag, Henschel ou Mercedes-Benz.

No entanto, foi em 1936 que nasce o Vidal G 1200 Tempo, pelas mãos de Otto Daus. Este clássico inova em grande escala com o seu design bimotor, suspensão independente e direcção às quatro rodas.

Com um motor a dois tempos de 594 cm3 montado em cada eixo, o G-1200 contava com cerca de quarenta cavalos no total, estando assim dentro os padrões da época.

O termo “Overengineering” começa a fazer sentido quando temos uma caixa de velocidade para cada eixo e direcção nas quatro rodas, características estas, que aliadas à suspensão independente, faziam deste SUV, o mais inovador à época, e bastante apreciado pelos comandantes dos demais beligerantes.

Apesar de único e capaz, todas estas inovações foram olhadas de lado pelo mercado interno, o alemão, sendo que a esmagadora percentagem da produção seguiu para exportação.

Grande parte da desconfiança prendia-se com o facto de ser bimotor e a dois tempos, levando estes factores à perda do contrato de fornecimento das forças armadas alemãs.

Contrariamente aos alemães, os exércitos finlandeses e dinamarqueses foram bastante permeáveis e entusiásticos quanto à aquisição deste modelo, estando estes presentes em numerosos filmes de propaganda, demonstrando as suas capacidades quer de tracção, quer de conforto e robustez.

Disponibilizado em versões de quatro ou seis ocupantes, este pequeno SUV de quatro metros de comprimento e mil e setecentos quilos, seria capaz de atingir os setenta quilómetros de velocidade, numa época em que as estradas alcatroadas eram escassas.

Porventura, a mais conhecida das soluções bimotor será mesmo o Citroën 2CV 4×4 Sahara, produzido cerca de vinte anos mais tarde, com sucesso limitado, em parte derivado à economia débil do pós-guerra, e ao preço mais elevado que o 2CV normal.

A robustez que marcava estes veículos contrasta com a fragilidade da grande maioria dos SUV de hoje, cuja utilização passa exclusivamente por trajectos alcatroados. As linhas desportivas são a grande atracção que prende o olhar do comprador, possivelmente o único argumento que pode advogar a compra de um veículo com tamanha subaproveitação.

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