Vênus de Milo – História e curiosidades sobre a famosa estátua grega

A Vênus de Milo é uma estátua da Grécia Antiga. Esculpida no período helenístico, seu autor é desconhecido. Foi, provavelmente, produzida entre os anos 100 e 190 a.C.

Ela foi descoberta em 1820 na ilha de Milos, na Grécia. E hoje se encontra exposta no Museu do Louvre. Por haverem diferentes versões sobre sua origem, a estátua está envolvida num mistério.

Essa obra representa Afrodite, a deusa do amor e da beleza na mitologia grega. Conhecida como Vênus pelos romanos. Uma das mais cultuadas da Antiguidade Clássica, pois é o símbolo da beleza ideal da época.

Quando foi descoberta, havia uma insistência por parte dos franceses em restituir obras saqueadas durante o domínio napoleônico para os países de origem.

Dessa forma, foi bastante promovida pelo governo, se tornando orgulho nacional e status para a França. Contudo, esse prestígio atrapalhou o processo de identificação da obra.

Mas essa não é a única polêmica que envolve a estátua. A posição do corpo, somada a ondulação do manto e dos cabelos da Vênus, dão movimento à escultura.  Além disso, a falta dos braços é um enigma.

Vênus de Milo - características, história e curiosidades sobre a estátua
Fonte: Flickr.

Características da estátua

A estátua carrega um forte realismo. De qualquer ângulo que é vista, a mulher parece estar em movimento. Essa mede 2,02 metros de altura, pesa 900 kg e é composta por dois pedaços de mármore de Paros. Unidas por grampos de ferro, essas duas partes marcam a cintura da Vênus de Milo.

Pela altura incomum às mulheres da época, a escultura foi relacionada a uma entidade divina.

A obra é uma mulher seminua da cintura para cima, mostrando os ombros, seios e barriga. Ela está de pé, com a perna esquerda levemente dobrada e levantada. A posição do corpo não totalmente reto acentua as curvas do corpo, mostrando feminilidade e sensualidade.

Por isso, acredita-se que a estátua é uma homenagem à deusa do Amor. Seus cabelos são ondulados presos num coque.

Vênus de Milo - características, história e curiosidades sobre a estátua
Fonte: Commons Wikimedia.

Na parte de baixo do corpo, o mármore foi esculpido lembrando as dobras de um tecido que cobre as pernas. A impressão do movimento do manto caindo é intensificada pelo jogo de luz e sombra. Seu rosto é sereno e com poucas emoções, carregando uma expressão e olhar enigmáticos.

Acredita-se que os braços, pés e outras partes menores foram esculpidas separadamente. Técnica muito comum do período neoclássico.

Além disso, a Vênus de Milo apresenta alguns orifícios em sua estrutura. Portanto, muitos estudiosos presumem que ela foi esculpida com brincos, braceletes e uma tiara ou coroa. Porém, esses objetos nunca foram encontrados.

Outro ponto é a falta dos braços. Não se sabe como eles sumiram. Existem fontes que dizem que, junto à estátua, foi encontrada uma mão segurando uma maçã. A teoria faz sentido, uma vez que a deusa era representada com o fruto.

Vênus de Milo - características, história e curiosidades sobre a estátua
Simulação da estátua original – Fonte: Americanas.

Descoberta da obra

A estátua foi encontrada em 10 de agosto de 1820 já sem os braços pelo um camponês Yorgos Kentrotas, nas Ilhas Cíclades. Portanto, sua origem é grega. Junto a ela estava uma mão segurando uma maçã, conforme a representação da deusa Afrodite que recebeu a fruta como presente de Páris de Troia.

Além disso, Milos significa maçã, em grego, o que garante lógica a teoria do nome da obra.

Sabe-se que a Vênus de Milo estava dividida em dois pedaços. Assim foi vendida a um oficial da Marinha Francesa no porto de Milos, no mar Egeu, por volta do século XIX. Na época, o governo francês estava restituindo aos países de origem obras que foram saqueadas por Napoleão Bonaparte.

Sendo assim, há pouco haviam devolvido à Itália a Vênus de Medici. Portanto, quando a estátua grega chegou na França ficou famosa muito rápido.

Vênus de Milo - características, história e curiosidades sobre a estátua
Ilha de Milos – Fonte: Viagem & Gastronomia.

Autoria desconhecida

Por não se saber ao certo de quem é o autor da Vênus de Milo, existem várias controvérsias. Ao ser levada ao Louvre, a mando do rei Luis XVIII, por exemplo, sua autoria foi atribuída a Praxíteles. Inclusive, sua primeira identificação foi como sendo do período clássico.

Enquanto isso, outros indicam Alexandre de Antioquia como seu criador. Isso porque o artista era amante do neoclássico, e as características da estátua combinam com o movimento artístico desse período. Contudo, não existem versões definitivas de sua autoria até hoje.

A obra foi, então, foi exposta no Museu do Louvre e permanece lá até hoje. E, certamente, sua fama e seus enigmas continuam intrigando as pessoas. Seu formato e a falta dos membros superiores, por exemplo, a tornaram emblema da beleza e de símbolo de escultura do mundo clássico.

Vênus de Milo - características, história e curiosidades sobre a estátua
Museu do Louvre – Fonte: Fodor’s Travel.

Curiosidades sobre a Vênus de Milo

  • A Vênus de Milo é uma das obras mais caras do mundo.
  • Além de não ter braços, a estátua não possui o pé esquerdo.
  • Existem milhares de reproduções da estátua para consumo artístico.
  • O acabamento da escultura é mais aperfeiçoado na parte da frente do que atrás.
  • O nome Vênus vem da mitologia romana e sua correspondente na Grécia é Afrodite.
  • Apesar de muitos acreditarem que a imagem representa a deusa do Amor, outros dizem que é Anfitrite, esposa de Poseidon, a quem prestavam culto na ilha de Milo.
  • Yorgos Kentrotas procurava pedras para construir um muro quando encontrou a escultura.
  • Nos Estados Unidos, em 1916, as universidades de Wellesley e Swarthmore promoveram um concurso para encontrar a sósia da Vênus de Milo entre as suas alunas.
  • Atualmente, os gregos pedem aos franceses o retorno da estátua. A Grécia pede a devolução da obra até 2020
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