Se o mundo acabar o único automóvel sobrevivente será um clássico

Ford T, Land Rover ou Volkswagen? Bom, infelizmente, não. Os extraterrestres que visitassem este nosso cantinho Galáxia encontrariam apenas os restos de um outrora paradisíaco planeta.

Para encontrarem um automóvel digno desse nome, tinham que se dirigir à Lua e procurar um dos três  Lunar Rover que as últimas missões do projecto Apollo deixou por lá.

O LVR ou Lunar Roving Vehicle foi desenvolvido em apenas 17 meses e utilizado pela primeira vez durante a missão da Apollo 15, que se iniciou a 26 de Julho de 1971. A bordo seguia a tripulação, três astronautas, e um LVR. O comandante da missão, David R. Scott, foi também o único motorista nesta ocasião.

O LVR permitiu aos dois astronautas na Lua a possibilidade de cobrirem distâncias mais longas, aproveitando melhor o pouco tempo disponível. Dois outros LVR, também chamados de Moon Buggies, foram utilizados nas duas seguintes missões Apollo. O programa foi cancelado após a 17ª missão, em Dezembro de 1972.

O LVR foi construído pela Boeing, que ganhou o concurso lançado pela NASA. A General Motors colaborou no desenvolvimento dos motores, suspensão e rodas. Produziram-se sete protótipos e apenas quatro LVR completos. Três foram utilizados na Lua, enquanto o quarto acabou por servir apenas como dador de peças para os restantes.

Ainda em teste na Terra, mas com todas as precauções, incluindo capacetes…

Os LVR tinham 3,1 metros de comprimento e uma distância entre-eixos de 2,3 metros e apenas 1,14 metros de altura. Na Terra pesava 210 quilos, mas na Lua, graças à menor gravidade, este valor reduzia para 35 quilos. A velocidade máxima atingida na Lua foi de 11 km/h. Os astronautas referiram que, por causa da gravidade lunar ser apenas 1/6 da verificada na Terra, a estabilidade do veículo a este ritmo impunha respeito. 

O LVR possuía quatro motores eléctricos, um em cada roda, com 0,25 cv de potência. os dois eixos eram direccionais, conferindo maior agilidade ao veículo. Esta solução impunha a existência de mais dois motores eléctricos para essa função. Existia ainda um travão mecânico. A energia era fornecida por duas baterias de zinco e prata, com tensão de 36 volts e capacidade de 121 Ah/hora. Teoricamente, a autonomia era de 92 km, mas nenhum dos três LVR que foram à lua chegaram perto de esgotar a carga.

A utilização do Lunar Rover só foi possível porque, para as Missões 15, 16 e 17 do programa Apollo, a NASA desenvolveu fatos dos astronautas que lhe permitiam dobrar-se, podendo assim sentar-se aos comandos do LVR. O veículo era comandado por uma espécie de manche, com instrumentação completa para navegação. Os astronautas nunca se afastavam muito do Módulo Lunar, mas durante a Missão 17, o LVR percorreu 35,9 km.

O projecto custou, na altura, 38 milhões de dólares, o que, se dividirmos pelos quatro exemplares totalmente funcionais produzidos, daria 9,5 milhões de dólares por cada um. Todavia, levando em conta a inflação, o projecto custou 228,760 milhões de dólares  ou 57,17 milhões por cada LVR. O único automóvel que sobreviveria à destruição do planeta seria também o mais dispendioso de sempre. 

Foto de promoção de um novo estilo de vida, na Lua
Com o equipamento completo, mas ainda na Terra, antes do lançamento da Apollo 16
A alteração dos fatos a partir da Missão Apolo 15 permitiu aos astronautas sentarem-se
Durante a Missão da Apollo 15 Mission, com o astronauta Jim Irwin
Isto parece bem divertido!
Uma réplica do “Joystick” e painel de instrumentos do LRV
O Comandante da Apollo 17, Eugene A. Cernan, a testar o LVR antes de colocar todo o equipamento
A Missão Apolo 17 foi a última tripulada a chegar à Lua
Instruções para a “alunagem” do LRV
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