Rapa Nui – Quem é esse povo, história e a ilha de Páscoa

Os Rapa Nui representam a civilização nativa que habitou a Ilha de Páscoa (também nomeada como Rapa Nui) no oceano Pacífico. Hoje, o povo Rapa Nui compõe 60% da população da Ilha de Páscoa. Entretanto, não existe nenhum Rapa Nui “puro”, todos possuem outra descendência na família. Decerto, a origem deste povo é polinésia, o que foi verificado através de análises do DNA mitocondrial de esqueletos pré-históricos.

Estima-se que o Povo Rapa Nui chegou à ilha entre 300 e 1200 DC.  A ilha de Páscoa é cheia de mistérios, a maioria deles gira em torno da era Ahu Moai, período em que os Rapa Nui (população da ilha) construíam intensamente uma enorme quantidade de Moai (estruturas de pedra que representavam seus ancestrais e os protegiam).

O povo Rapa Nui

Segundo a lenda, a cerca de 2.500 anos atrás, o rei Hotu Matu’a sonhou com uma ilha idêntica a ilha de páscoa, e acreditou que esse seria o lugar que ele deveria morar. Então, ele enviou seus guerreiros na busca desse lugar. Durante a busca, esses guerreiros avistaram uma tartaruga, e a seguiram, chegando a lha de páscoa. Posteriormente, eles construíram novas canoas e foram buscar o rei Hotu Matu’a e sua comunidade. Iniciando a fase de povoamento em Rapa Nui.

De acordo com a tradição, Hotu Matu’a colonizou Rapa Nui e foi o primeiro rei da ilha.

Cada um dos 6 filhos de Hotu Matu’s foi responsável por formar as principais tribos. Cada tribo era dividida em clãs. Contudo, o líder de cada clã era o nativo mais velho que tivesse alguma relação direta com um dos filhos de Hotu. Existiam várias posições sociais na cultura Rapa Nui: Reis, aristocratas, importantes sacerdotes, guerreiros, refugiados e escravos. Cada um exercia sua determinada função no seu clã.

A principal característica cultural dos Rapa Nui é a construção dos Moai. Essas grandes esculturas representavam sua devoção aos ancestrais de cada clã. Com o passar dos anos, os Moai foram se tornando mais “estilizados” e maiores, uma vez que as técnicas para sua construção foram sendo aperfeiçoadas.

A ilha de Páscoa

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Mapa da ilha de Páscoa – Fonte: Todo estudo

Conhecida como um dos pontos mais distantes do planeta, a Ilha de Páscoa fica localizada a exatos 3700 quilômetros do continente americano. Dessa forma, mantém quase a mesma distância em relação ao Taiti, no Pacífico. A Ilha de Páscoa tem origem vulcânica. Com isso, a ilha tem a costa cheia de rochas vulcânicas e praticamente não tem praias, com exceção de Anakena e Ovahe (ambas no norte da ilha).

Páscoa é uma ilha dotada de vários acidentes geográficos que impedem a presença de terras férteis ou algum outro recurso favorável à fixação humana.

O nome da ilha é pelo fato de o holandês Jacob Roggeveen ter chegado na ilha dia 5 de abril, um domingo de páscoa.

Os Moais

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Moai com um pukao – Fonte: Renata Viaja

Aparentemente, a construção de Moais é uma tradição exclusiva dos Rapa Nui. Ao contrário do que imaginam, essas estruturas não representam Deuses, mas sim os ancestrais que já se foram. Decerto, os variados tamanhos e detalhes das esculturas, evidenciavam o prestígio do ancestral. Para exemplificar, A realeza era representada com um Pukao (estrutura de pedra vermelha que se assemelha a um chapéu) sobre a cabeça das estátuas.

Assim como, outro detalhe a se destacar, é que os Moais sempre tinham unhas enormes. Isso evidenciava que aqueles ali representados não precisavam trabalhar nem realizar qualquer tarefa. Pois tinham subordinados que colocavam “a mão na massa” por eles.

Acredita-se também que os Moais tinham a capacidade de proteger as atividades do clã.

Graças a grande quantidade de Moais que existem na ilha, pesquisadores entenderam a dinâmica do seu processo de construção. Primeiramente, os Moais eram esculpidos nas próprias rochas vulcânicas. Posteriormente, após finalizada a parte da frente, a parte inferior que prendia a estrutura ás rocha vulcânicas, era retirada. Assim, o Moai deslizava pela encosta e era colocado em pé no solo, para que pudesse finalizar a parte suas costas.

Após finalizados, esses Moais eram levados até os chamados Ahu, que eram plataformas de pedras que serviam de cemitérios para os mais nobres do clã.

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Plataforma de Moais – Fonte: Super interessante

Já foram encontrados na ilha cerca de 880 moai. Acredita-se que 288 desses Moai foram levados e erguidos sobre uma plataforma. 397 moai continuaram em sua fábrica (a pedreira do Rano Raraku) e 92 Moai foram encontrados no que seria o caminho entre a pedreira a os Tahu.

Fim da era Ahu Moai e a guerra entre os Rapa Nui

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Rapa Nui Fonte: Blog do professor Clebinho

A era Ahu Moai durou cerca de 800 anos. A intensa necessidade de sempre construir mais Moais e sempre maiores e mais detalhados, causou a superexploração de recursos da ilha. Então, causando o esgotamento dos recursos no século XVII.

Enfim, a escassez gerou lutas entre os clãs, causando guerra onde todos os Moai foram derrubados. Esse ato desmoralizava o “inimigo” e era a maior ofensa que um clã podia receber. Com a queda dos Moai, a devoção dos Rapa Nui aos seus ancestrais acabou chegando ao fim, e o poder do Ariki (rei) foi significativamente reduzido.

Todos os Moais que permanecem hoje na ilha de páscoa, foram restaurados e recolocados daquela forma. Pois, após a era Ahu Moai, não restou nenhum Moai sobre os Ahu (plataformas)

Era Huri Moai

Por volta de 1680, deu iniciou a era Huri Moai. Este período foi marcado pela escassez de recursos e guerras entre os clãs Rapa Nui. Assim, nesse período novas expressões políticas e religiosas ganharam força, focando principalmente no deus Make-Make, na fertilidade e no poder de matato’a (líderes guerreiros).

A fim de diminuir as disputas foi criada a competição do Homem-Pássaro. Eventualmente, através dessa competição, um novo líder seria eleito anualmente. Os competidores precisavam nadar até a ilha Motu Nui (localizada bem em frente a Orongo) e capturar o ovo da ave Manutara. O primeiro a retornar para Orongo com o ovo intacto seria reconhecido como Tangata Manu, a reencarnação do Deus criador Make-Make. Então, se tornava o  líder da ilha por um ano. Dessa forma, a conquista do posto mais alto da ilha deixava de ser hereditária e passava a ser por mérito.

A cerimônia mais importante desse culto acontecia na Vila de Orongo, localizada no topo do vulcão Rano Kau.

Redução populacional dos Rapa Nui

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Fonte: Mar sem fim

Em 1722, um holandês chamado Jacob Roggeveen desembarcou na ilha e divulgou sua existência para a Europa. Inegavelmente, esse contato com o ocidente foi o que causou a devastação da população Rapa Nui. Pode se dizer que, mais de 1/3 da população foi levada para o Peru como escravos. Posteriormente, alguns Rapa Nui conseguiram retornar a ilha de Páscoa. Entretanto, trouxeram consigo doenças do continente. O que acabou diminuindo a população Rapa Nui para 111 pessoas.

Por esse fato, hoje não existe nenhum Rapa Nui “puro”, todos possuem outra descendência na família.

Outro fator, foi que com o esgotamento dos recursos naturais da ilha, os clãs dividiram-se e passaram a disputar cada recurso natural disponível em guerras sangrentas. Casos de canibalismo começaram a ocorrer.

Inegavelmente, para contribuir com a extinção da cultura Rapa Nui, a Ilha de Páscoa foi incorporada ao Chile. Já em 1888 foi arrendada para um homem chamado Enrique Merlet. Este vendeu o seu controle da ilha para uma empresa britânica Williamson-Balfour. Uma companhia foi criada, que acabou transformando a ilha em uma grande fazenda de ovelhas. Os nativos passaram praticamente à condição de escravos tendo que trabalhar para a companhia e não tendo permissão de deixar a ilha. Devido aos constantes abusos, em 1953 o governo chileno se recusou a renovar o arrendamento e transferiu a responsabilidade da ilha para marinha chilena (Armada de Chile).

A devastação da ilha

Rapa Nui e a ilha de Páscoa
Sistema de transporte dos Moais – Fonte: Super interessante

Infelizmente, os Moais são também o maior símbolo de uma história trágica de desrespeito ao meio ambiente e exploração desenfreada de recursos naturais. Decerto, as estátuas eram esculpidas aos pés do vulcão e posteriormente transportadas a altares cerimoniais localizados à beira-mar, a dezenas de quilômetros de distância.

Contudo, para fazer a locomoção dessas grandes estruturas até as plataformas, os Rapa Nui desenvolveram uma técnica especial. Deitados, de costas para baixo sobre troncos eram rolados até as plataformas, consumindo centenas de uma palmeira endêmica da ilha.

Graças ao furor religioso e à competição entre clãs, mais de mil estátuas foram esculpidas, o que levou à extinção das palmeiras. Pois, para transportar os Moais eles derrubaram todas as árvores do território. Sem as árvores, as aves migratórias que faziam parte da dieta dos ilhéus simplesmente sumiram. Além disso, sem a matéria prima para fazer suas canos, passaram a não pescar.

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