Quem foi Theodor Adorno

Theodor Adorno foi um importante filósofo e sociólogo que levou a teoria marxista a novas reflexões. Logo, ele foi responsável por tecer críticas e apontar limitações nas ideias de Marx, produzindo novas teorias para o seu próprio tempo. Saiba mais sobre esse importante autor para a sociologia.

Theodor Ludwig Wiesengrund-Adorno foi um alemão nascido na cidade de Frankfurt, em 1903. Inicialmente, dedicou-se aos estudos na música, e ampliou sua teoria na filosofia e sociologia ao se filiar ao Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt.

Adorno e outros teóricos – como Max Horkheimer e Herbert Marcuse – são conhecidos, assim, por compor a primeira geração da Escola de Frankfurt: uma verdadeira corrente de pensamento que se formou, denominada teoria crítica.

A proposta da teoria crítica era se basear e ao mesmo tempo questionar as ideias de Karl Marx, atualizando-as para o seu tempo. Nesse contexto, Adorno, que era judeu, e seus colegas foram perseguidos pela Alemanha nazista sob domínio de Hitler, na Segunda Guerra Mundial.

Assim, semelhantemente a outros teóricos, Adorno passou anos fora da Alemanha, na Inglaterra, desenvolvendo suas teorias. Ao término da Guerra, retornou ao país e reabriu o Instituto, ocupando a posição de diretor. Faleceu em 1969 com uma doença cardíaca.

Teorias

Um dos grandes projetos teóricos de Adorno com sua teoria crítica era de fazer um diagnóstico ou uma leitura das condições sociais do seu mundo contemporâneo. Assim, um dos pontos centrais de seu argumento se voltou à racionalidade do esclarecimento.

O esclarecimento, referente ao iluminismo, pregou pelo menos desde o século XVIII que a Ciência, por meio da Razão, conseguiria estudar a natureza como um objeto e dominá-la. Ou seja, o objetivo era se afastar dos mitos e das religiões, e chegar à verdade com a Ciência.

Contudo, ao transformar tudo em “coisa” da natureza, a própria racionalidade se torna um mero objeto – o que foi chamado de racionalidade instrumental. Logo, os sujeitos da sociedade moderna e capitalista fazem “cálculos” a todo momento, visando alcançar seus objetivos.

Portanto, essa é a racionalidade impregnada nas pessoas ao viverem em uma sociedade capitalista: os indivíduos são instrumentos, cada um com sua função e servindo para um fim. Ao mesmo tempo, tudo se torna mercadoria – incluindo, claro, o próprio trabalho.

Esse diagnóstico de uma sociedade baseada na racionalidade instrumental mostra também os prejuízos psicológicos nos indivíduos; afinal, quando tudo é mera questão de necessidade e de alcançar fins, a vida começa a perder sentido.

Adorno e Horkheimer

Max Horkheimer foi colega de Adorno, ambos associados ao Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt. Também alemão e filho de judeus, nasceu em Stuttgart, em 1895. Assim, ambos tiveram trajetórias parecidas produzindo teoria social, e fugindo da violência nazista.

Particularmente, a relação de Horkheimer com Adorno foi importante porque publicaram juntos obras bastante conhecidas, como A Dialética do Esclarecimento. É nesse livro que conceitos como da racionalidade instrumental são explicados, além da indústria cultural.

Escola de Frankfurt e a indústria cultural

Quando se fala sobre Theodor Adorno, incluindo Max Horkheimer, imediatamente são associados termos importantes: a Escola de Frankfurt e a indústria cultural. O que eles significam? Veja a seguir:

Escola de Frankfurt

Embora existam controvérsias, os teóricos filiados ao Instituto de Pesquisas Sociais de Frankfurt acabaram criando uma verdadeira corrente de pensamento: a teoria crítica. Apesar de haver uma diversidade de ideias, essa vertente de autores é chamada de Escola de Frankfurt.

Assim, Adorno e Horkheimer fazem parte da chamada primeira geração da Escola de Frankfurt, inaugurando interesses de pesquisa que foram seguidos pelos seus sucessores. Um dos mais conhecidos, Walter Benjamin, faz parte da terceira geração dessa vertente.

Assim, a Escola de Frankfurt não diz respeito necessariamente a um lugar físico, mas a uma corrente filosófica e sociológica. Nela, se juntaram autores marxistas que não queriam simplesmente repetir a teoria de Marx, mas criticá-la e reformulá-la para os tempos atuais.

Indústria cultural

Na obra A Dialética do Esclarecimento, publicada por Adorno e Horkheimer, foi mencionada pela primeira vez o conceito de indústria cultural. Por esse termo, os autores demonstram como manifestações culturais como a arte e a música se tornam simples mercadoria no sistema capitalista.

Desse modo, o próprio nome expressa uma ideia central: a “cultura” é transformada em mercadoria e produzida em larga escala, como em um processo industrial. Para exemplos, basta lembrar as rádios, a televisão, e a mais recente internet e a indústria musical.

Logo, o grande problema da indústria cultural é que, ao invés de ser uma ferramenta de crítica ao sistema, a arte acaba funcionando como um modo de alienar as pessoas conforme a lógica capitalista – afinal, ela passa a ser monopolizada pela burguesia que a produz.

Assim, a ideologia do capitalismo acaba se disseminando cada vez mais na sociedade por meio da música, da pintura, do cinema e outros meios artísticos. Além disso, as expressões culturais, ao se tornarem mercadoria, passam a ser consumidas diferentemente pelas elites e pelo “povo.”

Por fim, o conceito de indústria cultural, teorizada por Adorno e Horkheimer, é uma marca importante da vertente de pensamento da Escola de Frankfurt. De fato, esse termo mostra a tentativa de diagnóstico e crítica da sociedade dos nossos tempos.

Frases de Theodor Adorno

A seguir, confira uma série de citações de Adorno, dando a possibilidade de ter contato direto com seus textos:

  • “[…] o esclarecimento exprime o movimento real da sociedade burguesa como um todo sob o aspecto da encarnação de sua Ideia em pessoas e instituições.”
  • “Para além da cabeça dos indivíduos formalmente livres, a lei do valor se impõe. Eles são desprovidos de liberdade, de acordo com a intelecção de Marx, enquanto os seus executores involuntários.”
  • “Nele [o “tempo livre”] prolonga-se não a liberdade, tão desconhecida da maioria das pessoas não livres como a sua não-liberdade em si mesma.”
  • “Nenhuma satisfação pode ser inerente ao trabalho que, aliás, perde a sua modéstia funcional na totalidade dos fins, nenhuma faísca da reflexão pode irromper durante o tempo livre, porque poderia saltar para o mundo do trabalho e pô-lo em chamas.”
  • “[…] aquele que se embriaga como espectador com batalhas, revoluções e catástrofes silencia quanto a se a libertação, da qual ele fala de modo burguês, não deveria se libertar destas categorias.”
  • “A filosofia, que um dia pareceu ultrapassada, mantém-se viva porque se perdeu o instante de sua realização.”
  • “Só por teimosia se poderia supor hoje esta possibilidade igual a do tempo de Marx. O proletariado ao qual Marx se dirigia não estava todavia integrado, se empobrecia a olhos vistos […].”

Assim, Adorno é uma referência interessante para pensar a respeito de possíveis desdobramentos da teoria marxista – e seus limites, bem como os desafios.

Como pensar Theodor Adorno no campo da educação? Esse é um tema interessante a ser debatido, tendo em vista as suas ideias sobre a racionalidade instrumental.

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