Porsche 911 Carrera 3.2: O prazer pela condução

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Desde a geração 2.7, apresentada em 1974, que os 911 passaram a ser automóveis menos especializados, ampliando o seu público potencial.

As prestações do modelo de base, com 150 cavalos, eram mais do que suficiente para que fosse mais lesto do que 95 por cento dos automóveis em circulação, permitindo uma redução substancial de custos de utilização e um nível de conforto e facilidade de condução sem rival no segmento.

Claro que continuavam a existir versões mais desportivas e radicais, dirigidas a um público mais exigente, mas representavam uma fatia cada vez menor de um construtor que se afirmava global. É nesta linha de orientação que surge a racionalização da gama com o 3.0 SC, e o Turbo posicionado acima, o modelo mais potente, dispendioso e complexo.
 
Mas, no início dos anos 80, existiu uma crise de identidade na Porsche. A sua direcção, encabeçada por Ernst Fuhrmann, apostara em substituir o 911 com a combinação de novos modelos de motor dianteiro, como o 928 e o 924/944.

Todavia, apesar da redução de produção do 911 SC, este continuava a ser o mais procurado, sobretudo em alternativa ao 928. Com a saída de Fuhrmann, em 1981 — era aparente o desfasamento entre a sua estratégia e aquilo que o mercado queria — foi Peter Schutz o escolhido pelos accionistas para tentar inverter a queda nas vendas. A sua formação e atitude privilegiaram o marketing e as vendas face à tecnologia.

Outra aposta foi a evolução do produto principal: o 911. Deu luz verde à produção do SC Cabriolet, ainda em 1981 e preparou o seu sucessor. Com o novo DME ou Digital Motor Eletronics da Bosch, foi possível baixar os consumos em 10%, ao mesmo tempo em que se aumentou a capacidade do motor e a sua potência (de 204 para 232 cv).

A carroçaria mudou em alguns detalhes, como o spoiler dianteiro e o nome Carrera, no capô traseiro, uma medida de marketing, já que os anteriores Porsche que utilizaram essa designação eram carros de corrida ou modelos de homologação.

Ainda assim, as melhorias ao nível do motor faziam com que o nome não fosse impróprio. O Carrera 3.2 tinha acelerações ao nível de um mítico Carrera 2.7 RS e uma velocidade de ponta superior, sendo muito mais frugal na gasolina, mais fácil de conduzir e mantendo um nível de requinte e conforto no interior bem superiores.

Mesmo comparado com o Turbo equivalente, o novo modelo. Bastante mais leve, apresentava excelentes argumentos, mas com uma fiabilidade sem rival.

Apenas a caixa de velocidades 915 se revelava um pouco abaixo do par e impôs um limite máximo de binário que impediu a utilização do motor de 3,3 litros de capacidade. A situação foi resolvida para o ano de produção de 1987, com a adopção da caixa G50, produzida pela Getrag.

O Carrera 3.2 manteve as três carroçarias do SC: Coupé, Targa e Cabriolet, mas este último recebeu uma capota inteiramente eléctrica também na actualização de 1987.

Ao todo, produziram-se cerca de 85.000 exemplares do Carrera 3.2, a geração do 911 refrigerado a ar mais produzida de sempre. Em Agosto de 1989 surgiu o 3.6 Carrera, mais conhecido por ‘964’.

O que diz o mercado

Se queria aproveitar o ponto baixo da valorização destes modelos, chegou cinco anos atrasado. Em 2013 os valores eram de 30.000 € para o coupé e o Targa e mais 10% para o Cabriolet. Actualmente, o dobro não chega, com os primeiros a rondar os 65.000 euros e os Cabriolet acima dos 70.000 euros.

Os Turbo Look valem ainda mais, equipados com carroçaria mais larga, suspensão, lábio do spoiler dianteiro, travões e jantes do Turbo. 80.000 € é provavelmente o mínimo a pagar por um bom exemplar.

O Carrera Club Sport, que pesava menos 50 kg do que a versão standard e tinha uma gestão do motor diferente, foi produzido em apenas 340 unidades e agora não aparece abaixo dos 180.000 €.

Já o Speedster, comercializado a partir de 1989, era feito com base no Cabriolet, mas tinha apenas dois lugares, com uma cobertura da capota em fibra e um pára-brisas bastante mais baixo. A capota era muito pequena e pouco funcional e o interior também possuía um nível de equipamento muito reduzido. Estava disponível com a carroçaria estreita ou com “Turbo Look”, com os guarda-lamas alargados.

Dos 2065 produzidos, 1894 eram “Turbo Look”. O Speedster foi o último 911 produzido na antiga fábrica de Zuffenhausen. É o mais valioso dos Carrera 3.2, com uma cotação que ronda os 220.000 euros.
 

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