Obesidade infantil: Adquirir e manter bons hábitos de vida

Em Portugal mais de metade (52,4%) da população adulta portuguesa tem excesso de peso e existe a maior incidência de obesidade infantil da Comunidade Europeia. Segundo alguns especialistas o sedentarismo e a má alimentação são responsáveis pela obesidade.

Com uma das taxas de obesidade infantil mais elevadas da Europa – de acordo com dados da Organização Mundial de Saúde – não restam dúvidas: a saúde das crianças portuguesas está em risco. Como defende Davide Carvalho, médico endocrinologista e presidente da Sociedade Portuguesa para o Estudo da Obesidade (SPEO): “A obesidade na criança e no adolescente no nosso país ultrapassou já a dimensão de problema de saúde pública para se tornar num indicador de doença da sociedade.” Para além dos riscos que representa para a criança na fase de crescimento pode ainda comprometer a saúde futura, ao tornar-se irreversível. Regra geral, podemos dizer que uma criança obesa que não altere a sua ingestão calórica e modifique o seu estilo de vida terá poucas possibilidades de ter um peso normal na vida adulta”, explica o médico.

De acordo com a Comissão Europeia, 29% das crianças portuguesas entre 2 e 5 anos têm excesso de peso e 12,5% são obesas; na faixa etária dos 6 aos 8 anos, a prevalência do excesso de peso é de 32% e a da obesidade é de 13,9%.

No Brasil, segundo o Ministério da Saúde, 4,4 milhões de crianças estão acima do peso , sendo que mais de 2 milhões têm sobrepeso, cerca de 1 milhão têm obesidade e aproximadamente 750 mil crianças tem obesidade infantil grave.

Consumimos mais calorias do que gastamos e para isto contribuem 3 fatores primordiais: a hereditariedade (alguns têm certamente mais tendência para engordar que outros), o ambiente (estilo de vida, acesso a alimentos que engordam mais, etc.) e o comportamento de cada um frente aos alimentos e ao prazer que lhe dão.

Adquirir e manter bons hábitos de vida – alimentação equilibrada, prática regular de atividade física – é um processo contínuo que requer medidas concretas por parte de todos, pais e filhos. A infância e adolescência são fases cruciais em que se dá “a aquisição de hábitos e modelação de comportamentos”, explica Davide Carvalho, realçando que “esta é uma idade de extrema sensibilidade e vulnerabilidade no que respeita sobretudo à prevenção mas também à intervenção terapêutica.” Na opinião deste especialista a missão dos pais passa por ensinar e educar a criança, mas sobretudo por mostrar o exemplo.

A prevenção da obesidade na infância ou adolescência passa ainda por corrigir erros comuns, nomeadamente ao nível alimentar.

O especialista Davide Carvalho alerta e exemplifica: “Alimentos com baixo valor alimentar (tipicamente produzidos sob a forma de merendas empatocadas necessitando pouca ou nenhuma preparação), comida de levar para casa, refrigerantes”. Os principais atores na prevenção da obesidade são, portanto, os pais, educadores e profissionais de saúde, uma vez que os “fatores ambientais desempenham um importante papel no desenvolvimento da obesidade em indivíduos geneticamente suscetíveis.” Isto implica, por exemplo, mudar de atitude e comer também um prato de sopa, em vez de reiterar os seus benefícios.

Escolhas inteligentes

Na fase inicial da vida da criança, as medidas a seguir englobam: “Encorajar o aleitamento materno exclusivo (6 meses) e prolongado; Desencorajar a introdução precoce de alimentos não lácteos (diversificação alimentar depois dos 6 meses) e não adicionar ao biberão cereais, mel ou açúcar”, aconselha o médico. Para além de adotar uma rotina alimentar equilibrada, composta por 5 refeições com intervalos regulares e sem nunca abdicar do pequeno-almoço, é fundamental estabelecer uma boa relação com a comida. Por outras palavras: não forçar a ingestão de alimentos, evitar petiscar entre as refeições e não usar um alimento como prémio ou recompensa.

Na infância importa promover uma dieta equilibrada, que inclua a ingestão de vegetais, frutas, legumes e cereais. A água deve ser a bebida principal e o consumo de sumos ou outras bebidas adocicadas deve limitar-se aos dias de festa. Na fase da adolescência, é importante substituir as “merendas comerciais demasiado calóricas por alimentos simples – pão com fiambre, queijo, ou compota – e fomentar o consumo diário de leite e iogurtes”, sugere.

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