Leonardo da Vinci e Michelangelo: por que os gênios se odiavam?

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Todo mundo concorda que Leonardo da Vinci e Michelangelo são dois dos maiores gênios das artes renascentistas, mas nem todo mundo sabe que eles não se suportavam.

A “treta” teria tido início em 1504, em Florença, quando ambos foram contratados para fazer um mesmo trabalho no Palazzo della Signoria, sede do governo florentino da época, hoje conhecido como Palazzo Vecchio.

A ideia é que ambos fizessem pinturas retratando vitórias de Florença em guerras recentes. O pagamento era generoso e ambos toparam o desafio, mas não se deram nada bem.

Na época, Michelangelo Buonarroti tinha 29 anos e era renomado principalmente por seu trabalho com a escultura em mármore. Cinco anos antes ele já tinha criado uma de suas obras primas, a Pietà, sendo visto como um prodígio.

Enquanto isso, da Vinci já estava consagrado, do alto de seus 51 anos de idade. As visões de ambos sobre a arte não eram as mesmas e farpas viviam sendo trocadas.

Michelangelo não considerava da Vinci um gênio, como toda a sociedade da época, enquanto Leonardo desvalorizava o trabalho do rival dizendo que a pintura era superior à escultura. Chegou a sugerir a colocação de uma folha na região genital do David de Michelangelo, o que foi feito.

As personalidades eram praticamente opostas. Michelangelo era conhecido pelo temperamento difícil, a irritabilidade e a disposição para se meter em brigas físicas. Não tinha boa aparência, passava dias com as mesmas roupas e dizem, não era chegado em um banho.

Leonardo da Vinci era o oposto disso. Considerado um homem bonito, gostava de festas e sempre andava vestido com roupas da moda. Tinha um perfil mais erudito, dedicando-se não apenas a fazer arte, mas também a estuda-la, aproximando-a da ciência e da filosofia. Era um indivíduo mais sofisticado.

Quem conhece duas pessoas com essas características, sabe que dificilmente elas se bicam.

Um episódio que ilustra bem a desavença teria ocorrido quando da Vinci falava sobre Dante Alighieri, poeta sobre o qual Michelangelo era um grande estudioso.

Ao chamar o rival para dar algumas palavras sobre o assunto, o escultor pensou que estava sendo sacaneado e respondeu pedindo para que Leonardo falasse sobre o cavalo dos Sforza, uma escultura que havia sido destruída durante uma guerra, diante do próprio da Vinci que, obviamente, odiava tocar no assunto.

Medo ou respeito?

O trabalho que iniciou a discórdia, em 1504, era visto por ambos e pela cidade de Florença como uma verdadeira disputa. No entanto, ninguém saiu vencedor. Ambos tiveram que abandonar a empreitada, em desistências que foram justificadas, mas deixaram aquela impressão de que os dois “amarelaram”.

Pouco menos de um ano após iniciarem os esboços, que existem até hoje, cada um foi para um lugar da Itália. Michelangelo foi convocado pelo Papa Júlio II, que era mais conhecido por ser um general guerreiro do que um sacerdote, para trabalhos em Roma, convite irrecusável vindo dele.

Da Vinci também se retirou da encrenca, já que estava devendo encomendas em Milão e precisava termina-las. Tinha fama de procrastinador, enquanto Michelangelo era um workaholic, mais uma das inúmeras diferenças entre os gênios.

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