Investigadores identificam nova via para combater melanoma

Com esta descoberta, abre-se uma nova via terapêutica para combater a resistência das células cancerígenas ao tratamento. Os resultados foram publicados hoje na conceituada revista Cancer Cell.

De acordo com a informação divulgada, a equipa descobriu que as células do melanoma deixam de responder tanto às imunoterapias como aos medicamentos que visam os genes defeituosos do tumor (mutações B-RAF ou N-Ras na via MAPK), aumentando a atividade de duas proteínas do citoesqueleto – ROCK e Myosin II. Os investigadores descobriram que estas moléculas eram fundamentais para a sobrevivência das células cancerígenas.

As moléculas foram previamente associadas ao processo de propagação metastática, mas não ao fraco impacto das terapias atuais anti-melanoma.

O estudo, cujos resultados foram agora apresentados, aponta para uma forte ligação entre metástase e resistência terapêutica – confirmando que o citoesqueleto é importante para determinar o quão agressivo é um cancro.

O melanoma maligno tem taxas de sobrevivência muito baixas, apesar de os tratamentos hoje disponíveis se encontrarem na vanguarda da imunoterapia personalizada.

Um problema que se deve, em grande parte, ao desenvolvimento de resistências. Cerca de 16.000 pessoas no Reino Unido são diagnosticadas com melanoma maligno todos os anos, dos quais resultaram mais de 2.300 mortes.

Testes em ratos sugerem que os tumores resistentes (ou não-responsivos) à terapia são efetivamente “viciados” em ROCK-Myosin II, a que recorrem para crescer.

A equipa descobriu que o bloqueio da via ROCK-Myosin II não só reduz o crescimento de células tumorais, mas também ataca células imunes defeituosas (macrófagos e células T reguladoras) que não estão a conseguir eliminar o tumor. Esta ação aumenta a imunidade antitumoral.

“Ficámos muito surpreendidos ao descobrir que as células cancerosas usaram o mesmo mecanismo, mudando o seu citoesqueleto, para escapar a dois tipos de drogas muito diferentes. Em poucas palavras, se você é uma célula cancerosa, o que não o mata torna-o mais forte”.

No entanto, a sua dependência do ROCK-Myosin II é uma vulnerabilidade que os testes de terapia combinada em ratos sugerem que podemos explorar na clínica combinando as terapias anti-melanoma existentes com os inibidores do ROCK-Myosin II”, afimou Victoria Sanz-Moreno, professora de Biologia Celular do Câncer na Queen Mary e principal autora do estudo, que acrescenta: “A nossa investigação pode ter implicações na busca de tratamentos para cancros com genes defeituosos semelhantes”.

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