Hepatite C: Acha que não é de risco? Muitos dos infetados dizem o mesmo

Estamos numa época em que ouvimos falar em vírus, transmissão, saúde pública, vacina, tratamentos eficazes, infetados, testes, mortos, pessoas assintomáticas, mas transmissoras, etc. De manhã à noite, seja em casa ou no trabalho. Porque não se arranja uma vacina ou um tratamento de elevada eficácia?

Pois é, este mundo dos vírus assassinos não é novo para nós. Também começa por C, é o vírus da hepatite C. Ainda não existe vacina, mas existem muitas armas: testes excelentes, meios de diagnóstico muito precisos para se saber se a doença está muito avançada, tratamentos da mais elevada eficácia que se conhece em medicina, próximo dos 100%.

Qual a dimensão do problema. Quantos infetados? Estimamos que estejam vivos cerca de 40.000 portugueses que são portadores do vírus. Pode ser qualquer um de nós. É um vírus atacante perfeito.

Quando entra no organismo fica quase sempre crónico, ou seja para toda vida, se não se fizer nada. Pode permanecer em nós, durante décadas, sem provocar um único sintoma. E, pior do que isso, pode ir afetando o fígado, primeiro com uma simples inflamação, depois destruindo-o, chegando a fase da cirrose: estado em que morrem as células do fígado, que é ocupado por cicatrizes, ficando com uma consistência muito dura e com um risco elevadíssimo de vir a desenvolver cancro do fígado. Este cancro do fígado é daqueles com pior prognóstico que, como médicos, conhecemos. Mas é um cancro evitável, com a vacina da hepatite B, não bebendo álcool em excesso.

Porquê sofrer e morrer de uma doença vírica, transmissível, para a qual a medicina e os cientistas descobriram um tratamento com 97% eficácia, sem efeitos secundários, tomado durante dois ou três meses?

Estamos, portanto, no bom caminho e tenho a certeza que com a ajuda de todos vamos ganhar esta batalha. Mas temos que testar, basta o anti-VHC.

Qual o selo de garantia: todos devem fazer o teste serológico de primeira linha para detetar o vírus: basta uma pequena quantidade de sangue sendo a análise denominada de “anti-VHC”. Qualquer médico o pode requisitar. Ao fim de 3-4 dias fica a saber se está contaminado. Se não o fizer, nada o garante que esteja livre deste vírus C. Acha que não é de risco? Muitos dos infetados dizem o mesmo. Mas a certeza só com o teste sanguíneo, sendo da responsabilidade de todos fazê-lo.

E é partindo desta responsabilidade conjunta no combate às Hepatites que a Sociedade Portuguesa de Gastrenterologia lança a campanha ‘Todos Contam’. Esta iniciativa, desenvolvida em conjunto com entidades relevantes no combate a estas patologias, visa assinalar o dia Mundial das Hepatites, que se comemora a 28 de julho.

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