Lição de Mandela pode ajudar o mundo a uma luta mais justa – Rui Marques

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O Dia Internacional Nelson Mandela, que se assinala sábado, será uma oportunidade para o mundo se unir numa luta justa contra a Covid-19 que não deixe ninguém para trás, defendeu hoje Rui Marques, um dos coordenadores das celebrações.

“Com os desafios da covid-19, precisamos de dar uma resposta em que ninguém fique para trás” e o acesso à vacina e aos medicamentos seja para todos, ricos ou pobres, e preços justos, afirmou à Lusa o presidente do Instituto Padre António Vieira, que coordena o projeto da Academia de Líderes Ubuntu.

Esta academia promove no sábado — dia de aniversário do nascimento do líder sul-africano — o Mandela Bridges World E-Summit, que irá contar com a participação de três Prémios Nobel da Paz — Ramos Horta, Muhammad Yunus e Kaylash Satyarthi — e ainda Ndaba Mandela, neto de Mandela, entre outros oradores de relevo.

A iniciativa decorrerá online através da plataforma zoom, tendo em conta as condicionantes impostas pela pandemia covid-19, e reunirá líderes das Academias de Líderes Ubuntu e jovens de mais de 29 países com o objetivo de partilhar e homenagear o legado de paz, reconciliação e união de Nelson Mandela.

Um legado que, na opinião de Rui Marques, é mais atual que nunca devido à pandemia do novo coronavírus.

“Mandela estaria nesta luta, tal como esteve no combate à sida”, disse o ativista social, para quem a humanidade precisa do “sentido de justiça e de solidariedade de Nelson Mandela, e de construir pontes entre si”.

E acrescentou: “O legado de Mandela é profundamente atual para os nossos dias e deve ser um fator de inspiração e demonstração de que é possível ter esperança”.

“O combate ao racismo e à discriminação não terminou, nem com Mandela, nem com Obama, nos Estados Unidos. É um tema em que é necessário lutar, fazendo como Mandela, propondo uma via não violenta, com a capacidade de envolver todos nessa responsabilidade, na construção de uma sociedade mais justa em que o racismo não tenha lugar”.

Transpondo o exemplo da luta de Mandela contra o apartheid na África do Sul para Portugal, Rui Marques disse a luta deve ser por uma sociedade mais justa, humana, inclusiva.

Portugal precisa de aprender, tal como Mandela ensino, que “as grandes causas são complexas e exigem resiliência, uma capacidade de enfrentar a adversidade transformando-a numa oportunidade”.

E analisando o que é esperado num futuro próximo, tendo em conta as consequências da covid-19, Rui Marques disse não ter dúvidas de que a crise social e económica só será ultrapassada se todos estiverem unidos.

Sobre a iniciativa de sábado, sublinhou a mobilização de 30 oradores, entre os quais três Prémios Nobel da Paz que irão “falar de temas da atualidade e apresentar propostas concretas”.

Participarão os laureados com este galardão Muhammad Yunus, reconhecido internacionalmente pelo seu sistema revolucionário de microcrédito, Kailash Satyarthi, defensor dos direitos da criança, o político timorense José Ramos-Horta.

Igualmente presentes virtualmente estarão John Carlin, autor do livro “Invictus — O Triunfo de Mandela” que deu origem ao filme “Invictus” e Piyushi Kotecha, diretora da Fundação Desmond Tutu, assim como Reverend Harold Good, um dos principais mediadores do processo de paz na Irlanda do Norte e Noellen Heyzer, que trabalhou com Mandela no processo de paz no Burundi.

Rui Marques, que sublinha a importância das pontes que Mandela criou para unir os povos, destaca um outro ponto alto das comemorações deste dia, que é a renomeação, por um dia, de várias pontes com o nome de Mandela.

Em Portugal, a iniciativa vai abranger as pontes 25 de abril, Arrábida, Ponte Rainha Santa Isabel, em Coimbra, Ponte Salgueiro Maia, em Santarém e Ponte Internacional sobre o Rio Guadiana, no Algarve, entre outras.

O objetivo é homenagear a “capacidade ímpar de Madiba [nome do clã Thembu, a que Mandela pertence] em construir pontes e em promover a reconciliação entre povos, para um mundo melhor”.

Nelson Mandela, que nasceu em 1918 e morreu em 2013), foi galardoado com o Prémio Nobel da Paz em dezembro de 1993, pela sua luta contra o regime de segregação racial – aparheid.

Condenado em 1964 a prisão perpetua, foi libertado em 1990, após uma forte pressão internacional. Foi presidente da África do Sul entre 1994 e 1999.

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