Armas químicas: O que são e os seus perigos

Provavelmente você já ouviu falar sobre armas químicas, mas sabe o que são? Inicialmente, elas podem ser definidas como objetos nocivos (ou até mesmo letais) aos seres humanos e animais, por conterem algum tipo de substância tóxica.

Existem vários tipos de armas químicas que já foram utilizadas em períodos históricos diferentes, em várias partes do mundo. Apesar dos diferentes tipos, o que unifica esse tipo de arma é o alto poder destrutivo.

Para compreender o perigo desse tipo de armamento, primeiramente, é importante compreender como funcionam e como podem gerar reações irreversíveis no organismo humano.

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Soldados usando protenção contra armas químicas. Fonte: Autoridade Nacional para a Proibição das Armas Químicas (ANPAQ)

Pode se enquadrar como arma química, gases, líquidos, pós, entre outros. Para atingirem seu objetivo final, essas substâncias são inseridas em armas, alimentos ou na água. Por vezes, são vaporizados ou lançados sobre uma região. Todos os seres vivos atingidos apresentam reações físicas e psicológicas e podem morrer.

Apesar disso, nem toda ferramenta com alto poder de destruição pode se enquadrar como arma química. Bombas atômicas, por exemplo, não são consideradas armas químicas.

Esse tipo de arma é usada, principalmente, em guerras. Além disso, cada uma tem um funcionamento específico e um efeito no corpo humano. Tais variações estão relacionadas ao tipo de substância utilizada.

Diferença entre armas químicas e armas biológicas

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Soldados japoneses durante ataque com gás tóxico. Fonte: Aventuras na História

Certamente, uma dúvida bastante comum em relação às armas químicas é sua diferença frente as armas biológicas. Antes de diferenciar, vale lembrar que ambas são extremamente nocivas, Sobretudo, o uso dessas armas é proibido.

Arma química consiste em uma substância (sólida, líquida ou gasosa) que ao entrar em contato com o organismo de um ser vivo, causa danos permanentes.

Em contraste, armas biológicas são os próprios organismos vivos (como vírus ou bactérias, por exemplo) que são lançados em uma determinada região.

Se comparadas, ambas são extremamente nocivas. No entanto, as armas biológicas são mais perigosas, já que os organismos vivos lançados se hospedam no corpo de animais e seres humanos por tempo indeterminado.

Afinal, por que as armas químicas são utilizadas?

Armas químicas- definição, perigos e ocorrências na história
Fonte: LPM

Certamente, em sua maioria, o uso das armas químicas se deu por razões de guerra. Ou seja, existem motivos técnicos para que essas armas sejam utilizadas:

Inutilização de terreno: além do efeito sobre pessoas e animais, a maioria das armas químicas também destroem terrenos e construções.

Ação rápida: o efeito das armas químicas costuma ser bastante rápido, o que representa uma vantagem para quem faz o uso dessas substâncias. Em resumo, com os soldados inimigos rapidamente afetados, é mais difícil que eles se reorganizem e façam um contra-ataque.

Atingir grandes áreas de uma só vez: como normalmente são gases, as armas químicas são dissipadas pelo vento e, sobretudo, rapidamente atingem várias regiões.

Realizar o ataque em uma posição fechada: por fim, já que as armas químicas se espalham rapidamente, não é preciso de grandes deslocamentos para que o inimigo seja atingido.

Proibição

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Congresso da OPAQ. Fonte: Politize

A primeira tentativa de regulamentar o uso de armas químicas aconteceu em 1675, em um acordo realizado entre França e Inglaterra. Basicamente, o acordo impedia o uso de balas envenenadas. Contudo, este não foi o único acordo. Ao longo da história, várias organizações tentaram impedir o uso dessas armas, uma vez que é considerada hedionda, por seu efeito. Além disso, essas armas podem atingir civis inocentes, que não estão diretamente envolvidos nos conflitos.

Apesar da primeira tentativa de regulamentação ter acontecido no século XVII, foi em 1997 que ocorreu a primeira grande convenção com o objetivo de tentar impedir o uso dessas armas. A Convenção de Armas Químicas (CAQ) aconteceu em Paris e reuniu diversos países. As nações participantes aceitaram por fim à produção, comércio e venda de armas químicas.

Apesar disso, mesmo com a CAQ, outros países continuaram a utilizar armas químicas com finalidade de guerra. Em 2013, o presidente da Síria, Bashar al-Assad, foi acusado de ter usado sarin (vamos explicar seu funcionamento mais abaixo) em regiões ocupadas por rebeldes contrários ao governo. Um ano depois, o país pediu para integrar a convenção e, além disso, se comprometeu a parar de usar as armas químicas.

Também em 1997, foi criada a Organização para Proibição de Armas Químicas (OPAQ), que atua em conjunto com a Organização das Nações Unidas (ONU) com o objetivo de combater o uso das armas químicas. Sobretudo, a organização existe até hoje e promove debates e pesquisas sobre usos e impactos das armas químicas.

Efeitos das armas químicas no corpo humano

As armas químicas produzem reações no organismo de seres vivos que podem causar danos irreversíveis ou, até mesmo, matá-los. Para que as substâncias presentes nas armas cause tantos estragos, elas precisam ser absorvidas pelo organismo. A absorção pode acontecer pela pele ou pela boca.

Certamente, a principal forma de absorção dessas substâncias é pela respiração. Isso se deve ao fato de que grande parte dessas substâncias são líquidas e acabam sendo pulverizadas, método que permite que sejam respiradas pelos seres vivos.

As reações físicas do organismo atingido podem variar de acordo com a arma química. No entanto, há algumas manifestações comuns em pessoas atingidas por armas químicas:

  • Asfixia
  • Ardor nos olhos e mucosas
  • Olhos lacrimejando
  • Queimaduras
  • Sangramentos
  • Bolhas e alergias
  • Convulsões
  • Dormência
  • Náusea e vômitos

Além dos danos físicos, há um aspecto psicológico envolvido. Quando a substância das armas químicas atinge as vítimas, elas não morrem instantaneamente. Ou seja, isso significa que pessoas e animais podem agonizar, sofrer e sentir dor quando são atingidos. Este aspecto torna o uso das armas químicas muito perverso.

Por fim, depois que as substâncias das armas químicas entram em contato com o organismo, é difícil reverter os efeitos. Em alguns casos é possível aplicar antibióticos nas vítimas para evitar que eles venham a óbito. No entanto, o índice de mortalidade chega a ser de até 90% após a primeira manifestação dos sintomas.

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