Algoritmo inteligente encontra possível tratamento para neuroblastoma

Foto Pixabay

Usando um algoritmo de computador, cientistas da Universidade de Uppsala (na Suécia) identificaram um novo e promissor tratamento para o neuroblastoma, uma forma de cancro comum em crianças (90% dos caso ocorrem em crianças com menos de cinco anos de idade), que ocorre em células nervosas no sistema nervoso simpático e que pode ser fatal.

A longo prazo, a descoberta, descrita na última edição da revista científica Nature Communications, pode contribuir para o desenvolvimento de uma nova terapia para crianças em que a doença é grave ou se encontra em fase avançada.

O novo tratamento baseia-se na ativação de uma proteína recetora, CNR2 (canabinoide receptor 2), no sistema nervoso.

Um método altamente incomum permitiu a aplicação terapêutica desta proteína em particular. Em vez de utilizarem métodos tradicionais de desenvolvimento de medicamentos, o grupo de investigação desenvolveu um novo algoritmo informático capaz de combinar grandes quantidades de dados genéticos e farmacológicos (“grandes dados”) de hospitais e universidades europeias e americanas.

O algoritmo sugeriu então novos tratamentos que poderão influenciar os mecanismos básicos da doença.

“Ficámos surpreendidos quando o algoritmo expôs ideias de tratamento completamente novas, como o CNR2, que nunca ninguém discutiu neste contexto. Por isso, decidimos investigar mais a questão no laboratório”, afirmou Sven Nelander, professor do Departamento de Imunologia, Genética e Patologia da Universidade de Uppsala, e principal responsável pelo estudo.

Os novos tratamentos foram investigados utilizando amostras de células de doentes e em modelos animais, onde se mostraram eficazes. A taxa de sobrevivência das células cancerígenas diminuiu, por exemplo, e o crescimento de tumores em peixes-zebra (Danio rerio) diminuiu, após tratamento com uma substância que estimula o CNR2.

Os pesquisadores também desenvolveram o algoritmo computacional para que ele possa ser aplicado a outras formas de cancro.

“Os algoritmos inteligentes serão cada vez mais importantes na investigação do cancro nos próximos anos, uma vez que nos podem ajudar a descobrir ângulos inesperados de abordagem da doença”. Já iniciamos um grande projeto em Uppsala, no qual vários tipos de cancro em crianças e adultos serão investigados desta forma. A nossa esperança é que este trabalho possa resultar em mais opções de tratamento inesperadas”, diz Nelander.

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